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Shakespeare
monólogo de hamlet

Ser ou não ser, eis a questão.
O que é mais nobre? Sofrer na alma
As flechas da fortuna ultrajante
Ou pegar em armas contra um mar de dores
Pondo-lhes um fim? Morrer, dormir
Nada mais; e por via do sono pôr ponto final
Aos males do coração e aos mil acidentes naturais
De que a carne é herdeira, num desenlace
Devotadamente desejado. Morrer! Dormir; dormir
Dormir, sonhar talvez: mas aqui está o ponto de interrogação;
Porque no sono da morte, que sonhos podem assaltar-nos
Uma vez fora da confusão da vida?
É isso que nos obriga a reflectir: é esse respeito
Que nos faz suportar por tanto tempo uma vida de agruras.
Pois quem suportaria as chicotadas e o escárnio do tempo
As injustiças do opressor, as afrontas dos orgulhosos,
A tortura do amor desprezado, as demoras da lei,
A insolência do oficial e os pontapés
Que o paciente mérito recebe do incompetente
Quando o próprio poderia gozar da quietude
Dada pela ponta de um punhal? Quem tais fardos suportaria
Preferindo gemer e suar sob o peso de uma vida fatigante
A não pelo medo de algo depois da morte
Esse país desconhecido de cujos campos
Nenhum viajante retornou, e que nos baralha a vontade
E nos faz suportar os males que temos
Em vez de voar para o que não conhecemos?
Assim a consciência nos faz a todos cobardes
E assim as cores nascentes da resolução
Empalidecem perante o frouxo clarão do pensamento
E os planos de grande alcance e actualidade
Por via desta perspectiva mudam de sentido
E saem do reino da acção.

William Shakespeare, 1564-1616,

poeta e dramaturgo inglês, Hamlet

7 comentários:

Maria disse...

Excelente escolha.
Bom fim de semana
Bjs do tamanho do infinito
Maria

Lilá(s) disse...

Gostei da escolha,William Shakespeare sempre.
bjs

Sonhadora disse...

Minha querida
Amei o texto, muito bem escolhido.

deixo beijinhos
Sonhadora

piedadevieira disse...

Eis a questão, depois de ler Shakespeare, que posso eu falar? Somente que a escolha foi excelente para um final de noite.
Beijos

Valéria disse...

Adorei o texto.
O teu blog é ótimo Valquiria. :)

Beijos.

Daniel Costa disse...

Valvesta

O poema de William Shakepeare, Monólogo de Hamlet, sendo um clássico, é óptimo que, sempre vá sendo aprofundado à luz da acualidade.
Bom fim-de-semana

angela disse...

Um dos trechos mais bonitos e significativos dele. Parabéns pela escolha.
beijos