Bem vindos!

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Insanamente o viver é ato de coragem e ousadia.
Num  dia somos o que se é... 
Noutro temos o direito de mudar,
se tivermos coragem e ousadia de viver 
os sonhos tão desenhados!

Podemos sim, temos direitos e permissões
Tempo... Em tempos em tempos crescem 
unhas e pelos, rugas e calos...
Brotam lágrimas e sorrisos,
labores e triunfos;
Sempre e em todo tempo que tenhamos do tempo...

Sendo só, ou não, assim como os brotos das roseiras
e o despertar das manhãs, os sonhos renascem...
Acordam o viver pra vivermos integralmente à vida!
Não sei se por sorte, predestinação ou por insistência, sei que 
para os corajosos e destemidos o sol aquece em sorrisos os dias, 
mesmo que muitas vezes regados por lágrimas.

O que temos de fazer é somente e tão somente usufruir
de todas as situações, pois em  todas há lições.
Tanto no semear, regar e colher,
nessa ou naquela sempre podemos cantar e sorrir;
Isso depende do modo natural e generoso 
que absorvemos o viver.

Valquíria Calado.
Se faz preciso um tempo meu



Se faz preciso um mergulhar
introspectivo nas minhas razões.
Na turves de muitas águas profundas...
Buscando encontrar respostas convincentes
Clarividências do sentir e alívio para muitas dores.
Descubro que nos muitos elos de uma corrente
se faz a força, na ruptura a fraqueza.
Então mergulho, fundo e mais profundo no sentir...
Nos barrancos da incompreensão encalho...
São arrastadas minhas correntes no corredor dos sonhos,
assombrando-me à visão realista na minha frente.
É preciso retornar a tona e respirar o ar da liberdade,
é fundamentalmente necessário nadar na direção do farol,
atracar em segurança na paz,
descansando na elevação do amor!

Então pós emergir, sorrir!!


Valquíria Calado

Flutuo ao seu lado, envolto nesse amor que vem de longe,
 de um tempo que nem sei.

Dou por inteiro, deixo que me leve, mergulho por inteiro em teu "ser" e a cada suspiro seu, me desfaço em teus braços, como é lindo amar você.

Somos assim, sem hora marcada, tempo incerto, chuva de verão.

Você em mim, eu, menino errante, contando as horas,

não querendo de seus olhos sair.

Meu peito teu abrigo, me embriago ao vê-la nele dormir.

Te amo, sem meio, sem fim.

Que passem as horas, me leve o tempo pra onde quiser, nosso amor não é daqui.

Não, não é daqui. Você, pelo tempo afora, dentro de mim.

Autor
Ademir de O. Lima

Lua


Tu sabes quantas vezes te busquei?

Tu estavas lá indiferente ao meu sentir...

Todos os momentos que esperei teu surgimento
distraída entre nuvens, absorvida por estrelas nem me percebia...

Mas encantada com tua luz, estasiada com teu esplendor
eu procurava uma forma de te tocar, 
te manter acessa dentro de mim.

Entre tua idas e vindas, em fases em fases, eu fazia tudo e corria
entre meus dias esperando tuas noites, só pra banhar-me em ti...

Nenhuma espera me cansou, nem perdi nelas meu sentir...

Prendi o fôlego ao tocar-te, esperançosa de ter-te alcançado.

Sinto-me com asas de luz, 
com elas te abraço e rodopio entre as novas,
numa cama cósmica onde nasce, morre e renasce estrelas de amor!!

Valquíria Calado.

Desperdícios



Sentimentos desperdiçados, como se não fossem de importância
Já diluí-se em lamas densas o que se sente...

Desperdícios de palavras melosas, de projetos  abortados,
de tudo que poderia  ter existido mas escorreu...

Desperdiçar assim o viver não é de grandeza corajosa,
nem se sabedoria fundada na experiência suprema.

Tolice deixa-se levar pela correnteza impetuosa das emoções devastadoras,
desperdiçar sonhos é deixar de labuzar-se no mel com medo das abelhas.

E tão pouco faltou para se mergulhar na plenitude das auroras,
era só esquecer o medo e deixa-se levar na cintilação das espumas matinais.

Ao tilintar d'água em pedras perseverante ensina-me a ritmar os soluços...
Meus olhos ainda que jorrando insistem em acompanhar seu  curso ruma ao abraço do mar.

Se há desperdícios voluntários de tantas águas... Por mim, se por tu...
Sei que à aridez da terra tomo-a, sacia-se silenciosa aproveitando até o sal.

Por nós, eles... Talvez por todos, o amanhecer continua lindo, e cada gota tem luz...
Reluz com renovo de esperança, de alma lavada o coração mergulhará  todos os dias no amor!

Valquíria Calado.






PONTE SOBRE MUITAS ÁGUAS...


Muito choveu em nossas vidas
Era  doce o gotejar na fértil terra do amor
Lá havia sementes que foram cuidadas com carinho.

Mas todo excesso mata...
As semente e os sonhos se perderam na correnteza brusca; 
no salobro das lágrimas e lamentos ignorados.

Hoje, depois da volta do sol não há frio
 Da terra fecunda brota riachos saciantes banhando-nos de paz!
Pontes de perdão, generosidade, tolerância e aceitação nos leva a seguir.

Ouço o cantar das águas jogado-se sem temor sobre as pedras
Dando-nos melodia doce, espuma branca, bandeira da paz.
Já não importa a tempestade passada,  auroras de luz invade-nos.

Assim como dia e noite , luz e trevas, doce e salgado, sorrisos e lágrimas 
o universo ensina-nos a mudar e adaptar-nos, crescer elevando-nos.
Não poderia eu mudar as estações, nem determinar mudanças.

Posso amar, e emanar de mim a luz que sacie.

Valquíria Calado




Anoitece
e com a penumbra nos chegam os sonhos...
Bem fundamentados ou infundados
mas todos com seu cintilar.
Já não sei se é um ou outro
se todos tem brilho e nuances perfumadas.
Sei que danço e navego
deslizo num arco-íris pintado por meus queres...
Satisfaço meus anseios de ser feliz...
Uma mistura perigosa de  sonhos inconscientes
e imaginação consciente!
Assim eu e meu profundo eu
 satisfazendo o ego  acorda sorrindo
driblando as lágrimas
inventando uma realidade  irreal...
Brincando com a menina dentro de mim
 que acorda para sonhar as vezes
 quando acarinha minha alma
com os sonhos que não pude viver.

Valquíria Calado.


Se pudesse entender o frio de tua ausência
talvez nunca deitasse teu sol no final dos meus dias.

...Ou pudera pular as noites, essas sombras do que fomos
e sonhos que  nunca chegaram a existir...

As águas de muitos invernos encherão o mar dos meus olhos
sempre que as imagens refletirem em sua superfície... Em recordações...

Assim existirei presente nos crepúsculos, acenando nos raios fugidos
 da tua luz, que me deixaram entregue ao escuro frio da solidão.

Mantenho-me viva esperando à alvorada que reacende o fogo do querer-te
Por isso grito ao vento, mesmo que somente o eco do meu sentir responde-me.

Manterei viva a chama que ilumina o amor acima do mar, por nós!
Pelo sonho que embalo no peito, com fé que somente Deus testemunha.

Valquíria Calado




PERCEBO OS DIAS, E TEM DIAS QUE ME BASTA!
SÃO DIAS QUE EU ME ESTENDO NUM MANTO DE SONHOS
ME REFAÇO E DESFAÇO, ME FAÇO O QUE FAÇO SER.
HÁ... TEM DIAS QUE A PREGUIÇA INSTALA-SE NA ALMA
E NÃO ME PERMITE ABRIR AS JANELAS.
EU SOU TÃO EU NESSES DIAS,
QUE SE EU TIVESSE OUTRO EU,
EU ME MANDARIA EMBORA.
ORA BOLAS...
É NESSE DIA INTEIRAMENTE MEU QUE SÓ FAÇO O QUE QUERO, 
SÓ FALO O QUE SINTO,
E ME AMO TANTO QUE NEM SINTO TUA FALTA,
PORQUE NESSE DIA TU EXISTE EM MIM,
DENTRO DE MIM, COMUNGANDO COMIGO,
EXATAMENTE COMO DESEJO QUE SEJA.
EU TE LEVO NAS ASAS DA MINHA VONTADE,
TE PRENDO DENTRO DA MINHA IMAGINAÇÃO,
E TE MONTO, COMO UM QUEBRA CABEÇA,
PEDAÇO POR PEDAÇO,
TE FAZENDO CONFORME MEU QUERER.
TE JURO, TU FICA BEM MELHOR...
EU TE COLOCO UM SORRISO MAROTO,
TIRO O CHAPÉU, DESALINHO TEU CABELO,
E ABRA TUA CAMISA.
E SEM DÚVIDA NENHUMA DESLIGO O CELULAR!
BRINCO DE MENINA ACANHADA
FAÇO UMA CARA AMARADA, SÓ PRA TE VER GARGALHAR.
NEM TE DIGO AS COISAS LOUCAS QUE POSSO SONHAR,
SE FOR CAPAZ DE ADIVINHAR,
EU TE PONHO FORA DOS MEUS SONHOS, SEM PESTANEJAR.
HOJE EU FIZ UM DIA QUE " A MIM BASTA", TODO MEU.
TE ACENEI DE LONGE,
FIZ UM CHARMINHO SÓ PRA OUVIR "EU TE AMO".
DEVO CONFESSAR QUE SUA VOZ FAZ A TRILHA SONORA DOS MEUS SONHOS.
COMO EU TE AMO... COMO EU TE AMO... COMO EU TE AMO...
PODERIA O MUNDO SER CEM MILHÕES DE VEZES MAIOR,
NÃO HAVERIA DISTÂNCIA CAPAZ DE SEPARAR-NOS.
QUANDO A VERDADE MANIFESTA SUA RAZÃO,
O AMOR SUA COMUNHÃO,
A ALMA ENCONTRA-SE NO REFLEXO DE OUTRA IMAGEM
SUA SEMELHANÇA, SUA IDENTIDADE, SEU RECONHECIMENTO.
SÃO PENSAMENTOS COMPOSTOS NUM DIA DE SOLIDÃO,
NA NECESSIDADE DE ESVAZIAR-SE DOS CARGOS COTIDIANOS,
DOS PENSAMENTOS IMPOSTOS PELOS QUE NOS CERCAM.
E É NESSE OCIOSIDADE PROFUNDA, NESSE SENTIR EXTREMO,
QUE ENCONTRO NO VENTO QUE VARRE MEU INTERIOR AS RESPOSTAS, OS ENTENDIMENTOS, E OS VALORES.
EU TE ENCONTREI DENTRO DE MIM, JÁ COM RESIDÊNCIA FIXA.
NÃO ÉS UM INQUILINO, ÉS PROPRIETÁRIO DO MEU MELHOR ESPAÇO: 
MEU CORAÇÃO.
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VALQUÍRIA CALADO

Virgem Vestal Condenada à Morte, O pintor italiano Pietro Saja fez a obra Vestal Virgin Condemned to Death por volta do ano de 1800. Atualmente, a obra pode ser vista no Palácio Real de Caserta, na Itália.
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As vezes não sou eu quem chora
É minha alma desenganada...

As vezes não sou eu quem reclama
São os sonhos desfalecendo...


As vezes não sou eu quem grita...
É o eco da minha dor nas paredes 
do coração que ecoam nos teus ouvidos.

Mas como tudo está dentro de mim, é tão somente eu cegar os olhos, 
amordaçar os lábios e adormecer os sonhos...

Ressurge a mulher de mármore trazendo nas mãos o fogo da paz:
Vesta!!!
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Valquíria Calado
















Então num dia de inspiração o Divino Senhor e Criador
Percebeu que faltava algo que coroasse Sua criação.
....
....
...

Um dia escreverei o resto desta postagem,
quando a luz me abraçar.
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AGORA DEIXO EM ABERTO PARA NOS COMENTÁRIOS DESTA
MEUS  QUERIDOS POSSAM ACRESCENTAR.
Obrigada.

Desejos Vão


Eu queria ser o Mar de altivo porte

Que ri e canta, a vastidão imensa!
Eu queria ser a Pedra que não pensa,
A pedra do caminho, rude e forte!

Eu queria ser o Sol, a luz intensa,
O bem do que é humilde e não tem sorte!

Eu queria ser a árvore tosca e densa
Que ri do mundo vão e até da morte!

Mas o Mar também chora de tristeza...

As árvores também, como quem reza,
Abrem, aos Céus, os braços, como um crente!

E o Sol altivo e forte, ao fim de um dia,
Tem lágrimas de sangue na agonia!

E as Pedras... essas... pisa-as toda a gente!...





Compositor: Florbella Espanca/ Thiago Machado

Na emoção se sair do casulo
no colorido que dei aos sonhos
nas formas geometricamente coloridas das asas
no brilho cintilante que baila no ar...
Há amor, paixão, deslumbre...encanto
.
 Naquele jardim pude sentir seu olhar
Contemplei maravilhada a doce luz azul do céu...
Meu amar é maior do que pude imaginar
É sonho com perfeição, êxtase de prazer boreal, 
satisfação espiritual e mental.
Comungar com o eterno, no sentir pleno, repleto!
.
Esse amor está sendo mais do que posso conter e reter:
Colhi-o no arco-íris, busquei-o no luar, converti-o ao sol
 Nessa luz encontro sabedoria para esse amar.
.
Ninguém conhece o segredo de se fazer amada...
Em meio a ventos fortes, aguaceiros e força descomunal
 Natural esconder-se a lua, obstrui-se o sol...
E até mesmo diluiu-se auroras boreais...
Desencantar-se do arco-íris
Mas o verdadeiro amar retoma o leme
segue na direção da comunhão.
.
Anjos celebram o vencer do amor 
com doces louvores em nossos corações.
.
Valquíria Calado

Sonhos < Premonição ou Profecia ?


Tempos idos.
.
Estou tentando descrever o que me corroí a alma
Mas certas palavras não tenho, as erradas represo.
.
São tantos os sentidos, alguns esquecidos em recantos escuros
obstruídos por valores, conceitos e tantas dores.
.
Sem qualquer ação diante desta imensidão eu pacifico meu desejo
Estagno meu calor, sem muito esperar, espero... Horas e horas, espero.
.
Recolho da memória lembranças e esperanças. Corro de volto o tempo
conjurando as frases perdidas, desvalorizadas nas atitudes.
.
Emoções descompromissadas, desprovidas de amor
Egos plenos de vaidades, corpos sedentos de paixão. Vãs emoções!
.
Até quando estarei... E  terei o olhar firmado no horizonte?
Em espera de tempos satisfatórios, de conclusões  definitivas, nada vejo...
.
Bom seria se tivéssemos o tempo a nosso favor, se fosse possível  voltar 
ao exato momento que se formara o furacão, teríamos ido em direção contrária.
.
Mas já não há o que fazer, além de consertar os estragos feitos por nossas mãos
E o tempo a seu tempo faz renascer entre os escombros, flores ofertáveis ao perdão.
.

Valquíria Calado.




É noite, o vento ergue as ondas açoitando-as no ar

Eu me vejo como elas, entregue à mare

deixando-me conduzir pela correnteza, vencida!


Olhando o céu posso entender a luz prata que encanta

e transforma em escamas a espuma que forma-se

ao quebrantar das águas salgadas, abundantes!


Meu corpo mulher traí-me em gemidos incertos de condições...

Ora fora prazer, na escassez desse, dor!

(Involuntariamente sentirei saudades desse amor).


Percebo que fui expelido do mar, encontro-me entre outros lixos

que foram abortados pelas ondas, destroços de náufragos, morte!

Abandonada, o luar banha-me, lambe-me o corpo dando reflexo a luz.


Olhares ocasionalmente me fitam, indiferença da diferença.

Sou desprezível ao conceito? Sou encantadora e misteriosa, sou mulher.

Tenho a coragem da verdade, e a impulsividade curiosa da fêmea, sou vida!


Estabeleço meus conceitos, refaço-me na certeza, erguendo-me mais forte

Eu sou aquela que lutou, acreditou, venceu os infortúnio, venci!

Sei que sou, e lembro de onde vim, agradeço a Deus sua ajuda.


Tenho a meiguice e a ingenuidade da menina, a sensualidade e

o mistério da sereia, o coração de poeta e a força da mulher.

O que me faz gigante é perdoar, e o que me faz pequena é a humildade.


Tenho o sonho que me leva em seus abraços,

sempre que me deito em devaneios posso existir acima dos maus.

Possuo a companhia dos anjos, a luz da lua, o cintilar das estrelas.


E navego no oceano do amor, com pureza nua de uma ninfeta

que deseja a entrega, mas com sincera bondade mutoa, espera...

Sonho com o mundo vestido de auroras, com melodiosas palavras de amor!


Valquiria Calado


Houve um tempo deserto onde a poeira dos dias me sufocava
Era de muitos olhares tristes... Perdidos... 
Vagando sobre o mar dos meus olhos.

Fora tempo de tantos sonhos em nuances coloridas pela imaginação
Onde o querer pintava arco-íris nas tardes chuvosas
e os naufrágios eram superados pelo folego da esperança.

Dai você chegou com o sol ofuscando meu olhar, 
me fazendo sorrir e despertar para uma realidade suave...
Me tocou com seu falar manso e sábio.

Tentei não decifra-lo, não decodifica-lo com meus anseios
Simplesmente busquei-te no olhar sincero e no sorriso inocente
Eu havia encontrado o abraço onde caberia por inteiro meu coração!

Ouço o cantar de muitas estrelas e vejo o sorrir doce da lua 
sobre nossas emoções que afloram como auroras boreais
enchendo-nos de alegrias e promessas sob bençãos do Pai.

Cremos na predestinação celestial e no retorno de preces...
Almas e corações numa afetuosa aliança de comunhão, amor e bem querer.
Já não somos eu nem você, mas um numa mesma missão de amar.

Valquíria Calado


As vezes em meios a tudo paro estagnada
Meu pensar voa à ti recordando teu rosto...

Aquele olhar perdido, as mãos inquietas;
teu passar de língua sobre os lábios...

Em quem será que pensas quando se perde
como estou agora? Eu em ti...

Minha necessidade de ti atordoa-me
desfaleço em paixão...

Você está em todo lugar. em cada rosto que vejo
Em cada olhar... dentro de mim...

Preciso de você aqui, do toque das mãos
do abraço de comunhão;

Preciso como nunca precisei de ninguém...

Desfaleci-me o amor... À espera de uma só palavra
 renove esperança na ampulheta da vida.

Não deixe o tempo apagar os sonhos, nem adormecer anseios, 
ainda temos tempo pra amar.
.
Valquíria Calado








  sonhos








    mudanças





temores





amar





metamorfoses












conscientização:
espaço
tempo
gênero
realidade
sou e existo!


AMADAS AMIGAS MAMÃES, FELICIDADES!!


No sorriso louco das mães batem as leves

gotas de chuva. Nas amadas
caras loucas batem e batem
os dedos amarelos das candeias.
Que balouçam. Que são puras.
Gotas e candeias puras. E as mães
aproximam-se soprando os dedos frios.
Seu corpo move-se
pelo meio dos ossos filiais, pelos tendões
e órgãos mergulhados,
e as calmas mães intrínsecas sentam-se
nas cabeças filiais.
Sentam-se, e estão ali num silêncio demorado e apressado
vendo tudo,
e queimando as imagens, alimentando as imagens
enquanto o amor é cada vez mais forte.
E bate-lhes nas caras, o amor leve.
O amor feroz.
E as mães são cada vez mais belas.
Pensam os filhos que elas levitam.
Flores violentas batem nas suas pálpebras.
Elas respiram ao alto e em baixo. São
silenciosas.
E a sua cara está no meio das gotas particulares
da chuva,
em volta das candeias. No contínuo
escorrer dos filhos.
As mães são as mais altas coisas
que os filhos criam, porque se colocam
na combustão dos filhos, porque
os filhos estão como invasores dentes-de-leão
no terreno das mães.
E as mães são poços de petróleo nas palavras dos filhos,
e atiram-se, através deles, como jactos
para fora da terra.
E os filhos mergulham em escafandros no interior
de muitas águas,
e trazem as mães como polvos embrulhados nas mãos
e na agudeza de toda a sua vida.
E o filho senta-se com a sua mãe à cabeceira da mesa,
e através dele a mãe mexe aqui e ali,
nas chávenas e nos garfos.
E através da mãe o filho pensa
que nenhuma morte é possível e as águas
estão ligadas entre si
por meio da mão dele que toca a cara louca
da mãe que toca a mão pressentida do filho.
E por dentro do amor, até somente ser possível
amar tudo,
e ser possível tudo ser reencontrado por dentro do amor.

Herberto Helder
Poesia Toda
Lisboa, Assírio & Alvim, 1990
(excerto do poema «Fonte», publicado em A Colher na Boca, 1961)