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Uma tarde chuvosa



Escrevo meu hoje para no amanhã reler. 
Para entender o caminhar dos dias, saber onde fui, e porque lá cheguei.
Hoje é só mais um dia, nada de especial, a natureza chora de uma forma especial...
Parece que espreme-se, fria e úmida. Eu aqui só, somente essa imensidão de emoções, as quais vou defrontando e aparando as arestas. 
É num dia como hoje que desperta a menina, a doce menina buscando colo, ela corre dentro dos corredores vazios, dentro dos escuros quartos da casa, tão vazios... Tanto quanto ela. 
Mas é exatamente no vazio e silenciososcômodos do ser que encontra-se as imagens do ontem e do hoje.  
Eu volto a realidade acordada pela chuva que açoita as telhas, como se quisesse me dizer: Eu comungo, estou com você.
 Não é fácil olhar frente a frente os fantasmas, na maioria  criados e adormecidos em meus braços, eles insistem em ficar, não me deixam, alguns até me são familiares, íntimos, companheiros da solidão...
Apuro mais a audição e ouço pássaros recolhidos precocemente aos ninhos, biqueiras, e carros ao longe... Mas, se fecho os olhos ouço mil vozes dentro de mim, são tantos eus, eles, todos gritam suas verdades, todos tem consciência de serem absolutamente certos!
 Eu calo. Me excluo; Pasmo diante do que não tinha percebido, e me contraio ante  tão grande solidão.
Construí um castelo com príncipe e princesas, fui rainha num reinado ilusório de um grande bestial rei. 
Havia um governo de mentiras, enganos e friezas,  nada prevaleceu diante de tais erros do governo.  
Não houve sacrifícios nem holocaustos que aplacasse a ira da realeza. 
Sobrou eu! Todos fugiram agonizantes por becos e ruelas sombrias... Sobrou eu! 
E a solidão de assistir a chuva açoitar as telhas do meu castelo... 
Observo o tempo da torre, o caminhar das nuvens, seu adeus ao chegar ao horizonte...
Eu estou aqui, talvez esse reino volte a existir, ou quem sabe,  com ajuda de Deus eu consiga chegar lá, no futuro das promessas, onde os sonhos ganham cores...
Pode acontecer meu impossível numa época distante, com outro a reinar. 
A chuva deu uma trégua... Desejo ardentemente um abraço, preciso!
 Não sou de buscar, nem pedir, mas gostaria que acontecesse, gostaria de me sentir embrulhada num carinho, de ter liberdade de falar e de ser compreendida, seria muito bom ter uma comunhão tão estreita, que só  um olhar pudesse dizer o que me vai na alma. Seria tão bom, se quando eu chorasse não tivesse de dizer porque choro... Gostaria de  alguém  que tocasse minhas mãos, e com um olhar me dissesse: Eu te entendo.
Penso que poderia me chamar de mulher, ao invés de menina, qual o mal de ser mulher e conservar a pureza da menina? Porque me tomam por boba? Eu sei quem sou, conheço meus limites e debilidades, mas me reconheço na pessoa de uma mulher, quase guerreira, que anda a fazer luta só, que não alicia guerreiros pra minhas guerras, nem diz as dores que lhes sangra. 
Estou com muitas cicatrizes, tento me curado sozinha, pela quantidade delas tatuadas na pele posso supor que o fim aproximasse, então tomarei banho na chuva, se eu chorar, será de alegria, acenderei todas as luzes, e todas as sombras fugiram, construirei um reinado de paz, amor e sinceridade. Não mais lamentarei os fracassos alheios, nem sofrerei por erros não cometidos, terei o sol da justiça sobre meu rosto e viverei os dias de paz, tão sonhados, tudo isso será o troféu de uma guerreira.
valquíria calado
 em;  Paulo  Afonso, 04 de set de 2011

3 comentários:

manuel marques disse...

Já Millôr dizia:
Entre um pingo e outro
A chuva não molha.

Beijo,amei o texto.

Ingrid disse...

que lindo texto amiga.. de reflexão e vida..
beijos de carinho..

Edna Lima disse...

Você escreve muito bem, com chuva ou sem chuva.
Parabéns pelo lindo texto!
bjs. Edna